Capitulo 3. Anátema 27-30 pág
Certo. Vamos esclarecer alguns mitos a respeito de vampiros.
Em primeiro lugar, você não vai me ver usando essa palavra com muita freqüência.
Na Patrulha Noturna, preferimos o termo parasita positivos, ou peeps, para
simplificar.
O ponto mais importante a ser lembra é que não existe mágica envolvida. Nada de
voar. Os seres humanos não têm ossos ocos ou asas - e a doença não muda isso.
Também nada de transformação em morcegos ou ratos. É impossível se
transformar em algo muito menor do que você - qual seria o destino da massa
excedente?
Por outro lado, entendo por que as pessoas de séculos passados acabaram se
confundindo. Hordas de ratos, e às vezes morcegos, acompanham os peeps. Esses
animais são infectados quando se esbaldam nas sobras deixadas pelos peeps.
Roedores dão bons "reservatórios", ou seja, funcionam bem como estoques da
doença. Os ratos oferecem um esconderijo ao parasita para o caso de o peep ser
capturado.
Os ratos infectados dedicam-se aos seus peeps, acompanhando-os pelo cheiro. A
ninhada dos roedores também serve como uma fonte conveniente de alimento
quando não há seres humanos para virar presas. (Nojento, eu sei, mas a natureza
é assim.)
Voltemos aos mitos.
Os parasitas positivos são refletidos no espelho. Vamos pensar: como o espelho
saberia o que está por trás do peep?
No entanto, essa lenda também se baseia num fato. À medida que o parasita
assume o controle, os peeps começam a desprezar seus próprios reflexos.
Destroem todos os seus espelhos. Contudo, se eles são tão bonitos, por que
odeiam os seus rostos?
Bem, a questão toda está no anátema.
O exemplo mais notório de doença que controla a mente é a raiva. Quando um
cachorro fica raivoso, passa a sentir uma necessidade incontrolável de morder
qualquer coisa que se mexa: esquilos, outros cachorros, você. É assim que a raiva
se dissemina: as mordidas transmitem o vírus de hospedeiro a hospedeiro.
Muito tempo atrás, o parasita devia ser como a raiva. Ao serem infectadas, as
pessoas passavam a ter um desejo irresistível de morder outros seres humanos. E
assim o faziam. Sucesso!
Entretanto, os seres humanos acabaram se organizando de um modo que foge à
capacidade de cachorros e esquilos. Inventamos destacamentos policias e
multidões enfurecidas, criamos leis e designamos autoridades. Como resultado,
viciados em morder tendem a ter carreiras relativamente curtas. Os únicos peeps
que sobreviveram foram aqueles que fugiram e se esconderam, aparecendo
furtivamente, à noite, para alimentar sua mania.
O parasita seguiu essa estratégia de sobrevivência ao extremo. Evoluiu ao longo de
gerações para transformar as mentes de suas vítimas, encontrando uma chave
química nos meandros do cérebro humano. Quando a chave é virada, passamos a
desprezar tudo o que um dia amamos. Os peeps recuam ao serem colocados diante de suas antigas obsessões. Desprezam as pessoas amadas e fogem de qualquer
coisa que lembre suas casas.
Na verdade, o amor transforma-se facilmente em ódio. A expressão que descreve
esse fenômeno é efeito anátema.
O efeito anátema expulsou os peeps de seus vilarejos medievais para que
pudessem escapar de linchamentos por multidões enfurecidas. E, assim, provocou
a disseminação geográfica da doença. Os peeps seguiram até o vilarejo seguinte e
depois até o país seguinte - sempre empurrados para mais longe por seu ódio de
tudo que fosse familiar.
À medida que as cidades cresceram, passando a ter mais policias e mais multidões
enfurecidas, os peeps adotaram novas estratégias para se esconderem.
Aprenderam a amar a noite e a enxergar no escuro, até que o próprio sol se tornou
um anátema.
Mas, atenção: eles não se incendeiam quando expostos à luz do dia. Apenas
odeiam-na profundamente.
Na Idade Média, o crucifixo era o grande anátema: Elvis, Manhanttan e um
namorado, unidos numa única coisa.
Era tudo muito mais simples naqueles tempos.
Atualmente, nós caçadores temos de fazer nossa lição casa antes de ir atrás de um
peeps. Quais eram suas comidas preferidas? De que tipo de música gostavam? Por
quais estrelas ou astros do cinema eram apaixonados? É verdade que ainda
existem casos de aversão a crucifixos, principalmente na região do Cinturão Bíblico,
mas é bem mais provável que você detenha um peep com um iPod cheio de suas
músicas favoritas. (Ouvi dizer que, com alguns peeps mais nerds, basta o logotipo
da Apple.)
É por isso que caçadores iniciantes de peeps, como eu, começaram com pessoas
conhecidas. Assim não precisam descobrir quais são seus anátemas. Caçar pessoas
que um dia nos amaram é a tarefa mais fácil. Nossos próprios rostos funcionaram
como uma lembrança de sua vida anterior. Nós somos o anátema.
Capitulo 12. Mestre dos parasitas 165-167 pág.
Conheça a Wolbachia, a bactéria que deseja dominar o mundo.
A Wolbachia é minúscula, menor do que uma célula, mas seus poderes sãoenormes. Ela é capaz de modificar geneticamente seus hospedeiros, mexer com
seus descendentes que nem sequer nasceram e criar espécies completamente
novas de portadores... tudo que for preciso para encher o mundo de Wolbachias.
Ninguém sabe quantas criaturas estão infectadas no mundo. Ao menos 20 mil
espécies de inseto, bem como inúmeros vermes e piolhos, carregam a Wolbachia.
São trilhões de portadores, pelo que sabemos. E, cada vez que os cientistas
analisam um novo ambiente, encontram mais.
Então você deve ficar preocupado com a Wolbachia? Voltaremos ao assunto mais
tarde.
Eis o aspecto mais estranho da Wolbachia: nenhuma criatura viva foi propriamente
infectada. Isso mesmo. Você não pega Wolbachia; você nasce com ela.
Ahn?
A Wolbachia é como um daqueles supervilões esqueléticos com uma cabeça
gigante. Ela é fraca: nunca pode deixar o corpo do hospedeiro, nem mesmo numa
gota de sangue. Em algum ponto de sua história evolucionária, a Wolbachia desistiu
do negócio de pular de uma criatura a outra e adotou uma estratégia para se
manter em território seguro. Por isso, passa a vida inteira dentro de um único
hospedeiro.
Mas como ela se espalha? Muito astuciosamente. Em vez de se arriscar no mundo
exterior, a Wolbachia infecta novos portadores antes de seu nascimento. Isso
mesmo: cada criatura infectada adquire a doença da própria mãe.
E o que acontece quando a Wolbachia nasce num hospedeiro macho? Os machos
não podem ter filhos, portanto são um beco sem saída para a infecção, certo?
Essa é a parte perversamente genial.
Em várias espécies de inseto, a Wolbachia embaralha os genes do hospedeiro
macho com um código secreto. Apenas outra Wolbachia (vivendo no interior de
uma fêmea) sabe como descodificar os genes e fazê-los voltar a funcionar
corretamente. Assim, quando o inseto infectado tenta se acasalar com um
saudável, os filhotes nascem com mutações terríveis e todos morrem.
Reproduzindo-se somente entre si ao longo de centenas de gerações, os insetos
infectados lentamente evoluem para formar uma nova espécie. E essa espécie é
completamente infectada pela Wolbachia e depende do parasita para procriar.
(Risada maléfica.)
E esse não é o único truque de mutação de espécie da Wolbachia.
Em alguns tipos de vespa, a Wolbachia usa uma solução ainda mais sacana para
resolver o problema do macho: simplesmente transforma todos os filhos não nascidos em fêmeas. E esse não é o único truque de mutação de espécie da Wolbachia.
Em alguns tipos de vespa, a Wolbachia usa uma solução ainda mais sacana para
resolver o problema do macho: simplesmente transforma todos os filhos não nascidos em fêmeas. Nenhum macho nasce. Depois, a Wolbachia dá um poder especial a essas fêmeas: a capacidade de procriar sem acasalar. E, obviamente,
toda essa prole também nasce do sexo feminino. Em outras palavras, os machos
tornam-se totalmente irrelevantes. Por obra de Wolbachia, algumas espécies de
vespa são inteiramente de fêmeas. Todos os machos estão mortos.
Na verdade, cientistas acreditam que os truques da Wolbachia podem ser
responsáveis pela criação de grande parte das espécies de insetos e vermes no
nosso planeta. Algumas dessas espécies, como as vespas parasíticas, acabam
infectando outras criaturas. (Isso mesmo, até parasitas têm parasitas. A natureza
não é linda?) Dessa forma, a Wolbachia vai lentamente recriando o mundo à sua
imagem, sem deixar a segurança de casa.
E quanto a você? Não sendo um inseto ou verme, por que se preocupar com a
Wolbachia?
Conheço a filária, um parasita que infecta moscas que picam. É uma das grandes
histórias de sucesso da Wolbachia. Todos esses vermes são infectados. Quando
uma filária é "curada" com antibióticos, nunca mais procria. Ela é deprimente dos
seus parasitas - uma das muitas espécies geneticamente modificadas para
funcionar como portadoras de Wolbachias.
E o que acontece quando uma mosca infectada como filária pica você? Os vermes
entram na sua pele e depositam ovos nela. Os ovos eclodem, os filhotes nadam
pela corrente sanguínea, e alguns deles acabam em seus globos oculares.
Felizmente, os bebês de vermes não fazem mal aos olhos. Infelizmente, a
Wolbachia que eles carregam emite um alerta vermelho ao seu sistema
imunológico. Seu sistema de defesa ataca seus próprios olhos, e você fica cego.
Por que a Wolbachia faz isso? Por que sua estratégia evolucionária provoca
cegueira em seres humanos?
Ninguém sabe a resposta. Mas uma coisa é certa:
A Wolbachia quer dominar o mundo.
Quer saber mais sobre essa incrível historia? Então leia os Vampiros em Nova York, Os Primeiros dias, você vai se surpreender.
Aluna - Mariana Laurentino

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