sábado, 17 de agosto de 2013

Livro: "Assassin's Creed - Renasceça" Oliver Bowden

                                           

             Acabei de reler o livro e quis compartilhar um dos momentos mais marcantes.
"Então, do sarcófago, ergueu-se uma figura cujas feições Ezio não conseguiu distinguir, embora soubesse que estava olhando uma mulher. Ela olhou para Ezio com olhos imitantes.e ferozes, e dela emergiu também uma voz — uma voz que de início parecia o gorjeio dos pássaros e que por fim se transformou em sua própria língua.
Ezio percebeu que ela usava um capacete e trazia no ombro uma coruja. Abaixou a cabeça. — Saudações, profeta — disse a deusa. — Tenho esperado por você há dez milhões de estações. Ezio não se atreveu a olhá-la. — Que bom que você veio — continuou a Visão. — E trouxe a Maçã. Deixe-me vê-la. Humildemente Ezio a entregou. — Ah. — A mão dela acariciou o ar sobre a Maçã, mas não a tocou. O objeto cintilava e pulsava. Os olhos da deusa atravessaram Ezio. — Precisamos conversar. — Ela inclinou a cabeça, como se estivesse refle tindo sobre alguma coisa, e Ezio achou ter visto um traço de sorriso no seu rosto iridescente. — Quem é você? — ousou perguntar. Ela suspirou. — Ah... tenho muitos nomes... Quando morri, era Minerva. An tes disso, Merva e Mera... e muito antes ainda no tempo... Olhe! — Ela apontou para a fila de sarcófagos pela qual Ezio havia passado. Agora, ao apontá-los um a um, eles brilharam com o cintilar fraco do luar. — E minha família... Juno, que antes era chamada de Uni... Júpiter, que antes era chamado de Tinia... Ezio estava transfigurado: — Vocês são os deuses antigos... Ele ouviu um som como o de vidro se quebrando à distância ou como o som que faria uma estrela caindo: era a risada dela. — Não, não deuses. Simplesmente viemos... antes. Mesmo na época em que caminhamos pelo mundo, sua gente lutava para entendernossa existência. Éramos mais... avançados no tempo... A mente de vocês ainda não estava preparada para nós... — Ela fez uma pausa. — Talvez ainda não esteja... Talvez jamais venha a estar. Porém, isso não importa. — A voz dela se endureceu Ínfimamente. — Mas, embora vocês talvez não nos compreendam, precisam compreender nosso aviso... A voz dela se perdeu no silêncio. Naquele silêncio, Ezio disse:
— Nada do que você está dizendo faz sentido para mim. — Meu filho, essas palavras não são para você... São para... — Ela olhou para a escuridão além da Câmara, uma escuridão que não era limitada por paredes ou pelo tempo em si. — O que é? — perguntou Ezio, humilde e amedrontado. — Do que está falando? Não há mais ninguém aqui! Minerva fez uma reverência para ele, perto dele, e ele sentiu o calor de uma mãe abraçar toda a sua exaustão, toda a sua dor. — Não desejo falar com você, mas por meio de você, Você é o profeta. — Ela ergueu os braços acima da cabeça e o teto da Câmara tornou-se o firmamento. O rosto cintilante e insubstancial assumiu uma expressão de infinita tristeza. — Você cumpriu seu papel... Você O fundamenta... Mas por favor agora fique em silêncio... para que possamos nos comu-nicar. — Ela pareceu triste. — Escute! Ezio era capaz de ver todo o céu e as estrelas, e ouvir sua música. Conseguia ver a Terra girando, como se ele a estivesse olhando do espaço. Conseguia enxergar os continentes e neles até mesmo uma cidade ou outra. — Quando ainda éramos carne, e nosso lar continuava inteiro, sua gente nos traiu. A nós, que fizemos vocês. A nós, que lhes demos ávida! — Ela fez uma pausa e, se uma deusa é capaz de derramar lágrimas, ela as derramou. Surgiu uma visão de guerra, e homens selvagens lutavam com armas feitas à mão contra seus antigos mestres. — Éramos fortes, mas vocês eram muitos. E os dois lados ansiavam por guerra. Uma nova imagem da Terra apareceu agora, perto, mas ainda como se vista do espaço. Então ela recuou, tornando-se menor, e Ezio viu que ela era apenas um dentre diversos planetas no centro de cujas órbitas ficava uma grande estrela — o Sol. —Tão ocupados estávamos com nossas preocupações terrenas que não notamos nos céus. E, quando o fizemos... Enquanto Minerva falava, Ezio viu o Sol chamejar em uma vasta coroa, derramando luz insuportável, luz que lambia a Terra. — Nós lhes demos o Éden. Mas havíamos criado entre nós a guerra e a morte e transformamos o Éden em inferno. A coisa deveria ter terminado ali e naquele momento, porém, fizemos vocês à nossa imagem. Nós os fizemos para sobreviver!
Ezio observou um braço coberto de cinzas emergir dos escombros da devastação total que parecia ter sido infligida à Terra pelo Sol. Grandes visões de uma planície varrida pelo vento passaram pelo céu, que era o teto da Câmara. Por ele marchavam pessoas — quebradas, efêmeras, mas corajosas. — E nós reconstruímos tudo — prosseguiu Minerva. — Foram precisos força, sacrifício e compaixão, mas reconstruímos! E enquanto a Terra lentamente se recuperava, enquanto a vida retornava ao mundo, enquanto os brotos verdes surgiam do solo generoso mais uma vez... Nós nos empenhamos para que tal tragédia jamais voltasse a se repetir. Ezio tornou a olhar o céu. Um horizonte. Nele, templos e formas, entalhes na pedra semelhantes a escritos, bibliotecas cheias de pergami-nhos, navios, cidades, música e dança — formas dos tempos antigos e das civilizações antigas que ele não conhecia, mas que reconheceu como sendo obras de seres humanos como ele... — Agora, porém, estamos morrendo — disse Minerva. — E o Tempo vai agir contra nós... A verdade será transformada em mito e lenda. O que construímos será mal-interpretado. Mas, Ezio, deixe minhas palavras preservarem a mensagem e registrarem nossa perda. Uma imagem se ergueu do edifício da Câmara e de outros como ele. Ezio observou, como se estivesse num sonho. — Mas deixe também que minhas palavras tragam esperança. Você precisa encontrar os outros templos. Templos como este. Construídos por aqueles que sabiam como virar as costas para a guerra. Eles fizeram tudo para nos proteger, para nos salvar do Fogo. Se puder encontrá-los,se sua obra puder ser salva, então talvez o mesmo possa acontecer com este mundo. Agora Ezio voltou a ver a Terra. O teto da Câmara mostrou uma cidade como a vasta San Gimignano, uma cidade do futuro, uma cidade de torres destruídas juntas que formava um crepúsculo das ruas abaixo, uma cidade numa ilha distante. E então tudo se aglutinou mais uma vez em uma visão do Sol. — Mas você precisa agir rápido — declarou Minerva. — Pois o tempo é cada vez mais curto. Cuidado com a Cruz Templaría, pois há muitos que irão se interpor no seu caminho."
           
Aluna: Fabiola Almeida

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